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Saturday, October 16, 2004

Manifesto pela liberdade e contra o preconceito

Segundo Nicolau Maquiavel os fins justificam os meios, mas até que ponto tal afirmação é correta? O escritor era um teórico do absolutismo – regime onde o poder estava concentrado nas mãos do rei –, e para tal se faz necessária interpretações.
Com esta tese, então, para que os objetivos das pessoas sejam alcançados elas podem fazer o que quiserem, ora os descrentes pensam que na vida se pode pisar nas pessoas apenas para se crescer. Porém segundo Einstein tudo é relativo e, enquanto alguns crêem que Maquiavel foi cínico, outros pensam que ele é realista.
Segundo Jean Jacques Rousseau – também um célebre teórico iluminista e precursor do socialismo –, a liberdade é inerente ao homem e nada pode tirá-la, pois, a partir deste momento o homem perde a condição humana.
Para Rousseau a família é um embrião do povo, e como tal, há uma liderança. Então os pais tem que instruir os filhos até a idade madura porém, segundo o próprio escritor, não podem interferir na individualidade, pois os filhos são homens e, por conseqüência tem a liberdade inerente.
Sejam as palavras de John Locke (teórico iluminista que inspirou a constituição dos Estados Unidos): “o homem é naturalmente bom, e nasce com direito a vida, liberdade e propriedade.”. Como tal frase influenciou os norte-americanos? Simples, a primeira lei de sua constituição fala da liberdade total de expressão, e claro todos os cidadãos são livres para expressar-se.
Então uma pessoa não pode conciliar os pensamentos de Locke e Rousseau com os de Maquiavel, pois a liberdade não pode ser sacada de forma alguma, seja em favor de quem for.
Como qualidade inerente, a liberdade não foi ou será, ela é. O indivíduo tem que ter dignidade e liberdade, para ser um homem (embora no sistema capitalista, há pessoas que são extorquidas totalmente do direito a dignidade). O direito de ter direito também é recíproco. Se há dois indivíduos, é claro que cada um tem sua liberdade, porém a liberdade cessa quando inicia a liberdade do outro. Então é nesse ponto que a liberdade vira dever. Dever de respeitar a liberdade e os direitos do outro.
Jesus Cristo falou: “Que atire a primeira pedra quem nunca pecou.”. Ele foi um exemplo de humildade, e ele neste momento estava defendendo uma meretriz, qual o porquê dele defendê-la? A soberba é um dos 7 pecados capitais e, talvez, o mais óbvio para responder esta questão.
Este pensamento incorreto está constantemente nas pessoas, que se julgam superiores. “Não julgai para não seres julgado”, o mestre assim o disse, pois nossos atos serão julgados apenas por Deus, cabe aos homens então, serem humildes e saberem tolerar as diferenças.
Quando me refiro a Jesus, não exclui as pessoas que não acreditam nele, ou que sua religião não faça referência. Os preceitos que ele pregou, como o amor estão presentes em todas as religiões.
Fazendo-se uma analogia, Newton disse que a toda ação há uma reação; para a Igreja católica, o pecado terá um castigo; para os esotéricos e místicos há o karma, para fazer com que nós aprendamos. Então, concluí-se que apenas devemos fazer o bem, e procurar ajudar as pessoas, porém não infringindo o seu direito à liberdade. Se a pessoa quer amor, como o terá dando ódio? Como se pode querer respeito, se não se sabe dá-lo? Tudo está ligado, e possue a lei da ação e reação.
Explanando-se melhor as afirmações acima, cabe salientar: o que é preconceito? Interpretando-se ao pé da letra seria um conceito antes do conceito, e portanto errôneo. O preconceito está intimamente ligado à soberba, afinal, em ambos os casos as pessoas se julgam superiores, implicando no fato de sua essência já estar errada.
Há o direito de ter preconceito? Para se chegar a isso há de haver uma explanação prévia. Todos nascemos e morremos. A condição social pode comprar bons médicos, mas não a saúde; compra bens materiais, mas não a felicidade. Do pó ao pó, essa é a única certeza humana. Então, se todos, independente da sua condição sócio-econômica, viemos e vamos para o mesmo para o mesmo lugar, isso gera a igualdade humana, indiferentemente da cor, raça ou sexualidade.
O ato da discriminação é, seguramente, o mais repugnante dos já citados, pois ele é uma conseqüência do preconceito, que extravasa totalmente os limites do direito e da liberdade alheia, o que figura um fato gravíssimo. Todo o tipo de discriminação é um crime contra a humanidade, pois tal ato fere o direito à liberdade.
Em uma de suas músicas, Gabriel o Pensador fala que nós mudamos o mundo na mudança da mente, e isso é realmente verdade. A humanidade que vive em sociedade e, por incrível que seja, no século XXI ainda há pessoas que não abriram a mente, pois pensamentos arcaicos existem para serem quebrados.
Se a sociedade é preconceituosa, isso não dá o direito do indivíduo ser, afinal a sociedade é a junção de homens, que já torna tal fato um erro. A grande vantagem da raça humana é ter a capacidade de raciocinar, pois o simples fato de pensar não nos torna inteligentes.Então, é necessário que se revejam direitos e deveres, pois a partir do momento em que houver no mundo uma sociedade onde o respeito mútuo e a dignidade sejam defendidas e vividas com fervor, avançaremos milhares de anos, e alcançaremos a unidade tão prevista em tantas constituições.

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