Do Direito à Igualdade
“Todos são iguais perante a lei, sem distinção de qualquer natureza, garantindo-se aos brasileiros (...) a inviolabilidade do direito à vida, à LIBERDADE, à IGUALDADE, à segurança e à propriedade..”
A Carta Magna Brasileira promulgada em 1988, tem no seu artigo 5º o trecho acima citado. Dois pontos que estão em letras maiúsculas são de primordial importância no debate de questões atuais, uma vez que nesta sexta-feira o país se envolveu em uma “pseudo-polêmica”.
A novela “América” da Rede Globo chegou a seu final com a controvertida idéia do beijo gay entre os personagens de Júnior e de Zeca, enquanto a MTV apresentava a versão lésbica do “Beija Sapo”; um detalhe é que as meninas, diga-se de passagem muito bonitas, beijaram na boca ao contrário do barulho feito por Glória Perez falando no “Fantástico” que o beijo ocorreria.
Pessoalmente creio que é inegável a luta por parte dos homossexuais em se afirmar perante a sociedade, mas também acho que a luta não passa por polêmicas gratuitas de beijo. Um debate muito mais bonito e profundo foi a conversa do personagem gay com a sua mãe, e a reação por parte dela. Neste momento Glória Perez conseguiu tocar no pensamento e no coração das pessoas, construindo um personagem que foge totalmente aos trejeitos que programas humorísticos tanto imputam. Um avanço também posso ver na MTV, pois ali não era visível meninas “caminhoneiras” ou “masculinas”, mas pessoas normais que estão querendo se ligar por um sentimento.
A grande questão do século XXI é podermos enxergar o outro sem os paradigmas que tanto marcaram a existência há anos atrás. O sistema patriarcalista incutiu na mente das pessoas que o correto é o casamento monogâmico (por parte da mulher) heterossexual e machocêntrico. Os homossexuais, os negros, os índios e as outras “minorias” são seres humanos antes de serem quaisquer dos rótulos acima citados.
A igualdade não se deve entender linearmente, pois é óbvio que homens são diferentes de mulheres, porém o sentido mais sublime da Constituição está ai, respeitar as diferenças (liberdades) para que se constitua a real igualdade. É este o grande desafio para a história.
Ao ver pessoas como o ex-deputado federal Severino Cavalcanti juntamente com a Bancada Evangélica barrar constantemente a união civil de pessoas do mesmo sexo, pode-se ver como a Constituição ainda está, por linhas tortas, no plano programático. É garantida a igualdade de direitos, mas do casamento apenas pessoas de sexos opostos podem gozar, é um paradoxo inexplicável.
Para mim a luta pelo fim do preconceito é uma luta cotidiana, de todos os Juniors que tomam consciência de sua condição e mostram a pais, amigos, parentes e outros que o fato de ser diferente não se constitui em uma aberração. A rede de sentimentos que se entrelaçam rumo a um futuro terá muito mais resposta e reflexos do que pensamentos egoísticos e atrasados das pessoas que ainda não entendem a diversidade.

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