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Sunday, December 31, 2006
Sunday, December 17, 2006
Saturday, November 05, 2005
Do Direito à Igualdade
“Todos são iguais perante a lei, sem distinção de qualquer natureza, garantindo-se aos brasileiros (...) a inviolabilidade do direito à vida, à LIBERDADE, à IGUALDADE, à segurança e à propriedade..”
A Carta Magna Brasileira promulgada em 1988, tem no seu artigo 5º o trecho acima citado. Dois pontos que estão em letras maiúsculas são de primordial importância no debate de questões atuais, uma vez que nesta sexta-feira o país se envolveu em uma “pseudo-polêmica”.
A novela “América” da Rede Globo chegou a seu final com a controvertida idéia do beijo gay entre os personagens de Júnior e de Zeca, enquanto a MTV apresentava a versão lésbica do “Beija Sapo”; um detalhe é que as meninas, diga-se de passagem muito bonitas, beijaram na boca ao contrário do barulho feito por Glória Perez falando no “Fantástico” que o beijo ocorreria.
Pessoalmente creio que é inegável a luta por parte dos homossexuais em se afirmar perante a sociedade, mas também acho que a luta não passa por polêmicas gratuitas de beijo. Um debate muito mais bonito e profundo foi a conversa do personagem gay com a sua mãe, e a reação por parte dela. Neste momento Glória Perez conseguiu tocar no pensamento e no coração das pessoas, construindo um personagem que foge totalmente aos trejeitos que programas humorísticos tanto imputam. Um avanço também posso ver na MTV, pois ali não era visível meninas “caminhoneiras” ou “masculinas”, mas pessoas normais que estão querendo se ligar por um sentimento.
A grande questão do século XXI é podermos enxergar o outro sem os paradigmas que tanto marcaram a existência há anos atrás. O sistema patriarcalista incutiu na mente das pessoas que o correto é o casamento monogâmico (por parte da mulher) heterossexual e machocêntrico. Os homossexuais, os negros, os índios e as outras “minorias” são seres humanos antes de serem quaisquer dos rótulos acima citados.
A igualdade não se deve entender linearmente, pois é óbvio que homens são diferentes de mulheres, porém o sentido mais sublime da Constituição está ai, respeitar as diferenças (liberdades) para que se constitua a real igualdade. É este o grande desafio para a história.
Ao ver pessoas como o ex-deputado federal Severino Cavalcanti juntamente com a Bancada Evangélica barrar constantemente a união civil de pessoas do mesmo sexo, pode-se ver como a Constituição ainda está, por linhas tortas, no plano programático. É garantida a igualdade de direitos, mas do casamento apenas pessoas de sexos opostos podem gozar, é um paradoxo inexplicável.
Para mim a luta pelo fim do preconceito é uma luta cotidiana, de todos os Juniors que tomam consciência de sua condição e mostram a pais, amigos, parentes e outros que o fato de ser diferente não se constitui em uma aberração. A rede de sentimentos que se entrelaçam rumo a um futuro terá muito mais resposta e reflexos do que pensamentos egoísticos e atrasados das pessoas que ainda não entendem a diversidade.
Saturday, October 15, 2005
Relacionamentos efêmeros
A contemporaneidade que se vive não poderia encontrar uma melhor definição do que o tempo do efêmero, do volátil. Tudo – ou praticamente tudo – perde as antigas amarras que tanto regeram a sociedade moderna.
Com o advento do que Jameson chamou de Capitalismo Tardio vê-se uma total penetração do capitalismo na mente e no cotidiano das pessoas, tendo portanto conseqüências psíquicas.
Uma das mais importantes seria o desenvolvimento tecnológico, que deixou de priorizar o tamanho, o peso e o volume para entrar na escala micro; ao passo que o trabalho humano é paulatinamente substituído pelo trabalho da máquina. Segundo Anthony Giddens, “a confiança em sistemas abstratos contribui para a confiabilidade da segurança cotidiana, mas por sua própria natureza ela não pode fornecer nem a mutualidade nem a intimidade que as relações de confiança oferecem” (pág 117, As conseqüências da modernidade). Mas gostaria de me opor ao que ele falou ser a causa de um maior auto-conhecimento.
Como a vida pessoal se organizou em torno do Estado de Direito, que é burocrático por excelência, a esfera privada perde o significado transcendente baseado em laços comunitários. A partir desde acontecimento as relações acontecem baseadas em sentimentos que convergem para a subjetividade, mas ao contrário do que Giddens avalia ser uma abertura para a auto-revelação, gostaria de pensar como ele mesmo diz, paradoxalmente, ser uma relação que prima pela estabilidade emocional.
Manuais de metodologia sociológica alertam para o fato de se recorrer a pesquisas, pelo fato de que o entrevistado responde o que quer, e não o que realmente acontece. Em relações regidas pela estabilidade emotiva, pouco importa a verdade – se é que ela existe de fato.
O século XIX assistiu a cientistas como Lombroso procurarem fazer a descrição de um degenerado, uma vez que a própria genética traria os genes. Hoje o século XXI não vê essas idéias com bons olhos o que de alguma forma não permite uma identificação do meliante; por outro lado a questão do preconceito fortemente combatida na legislação não permite a separação de tais alvos da eugenia antiga.
Jean Delumeau, no seu livro História do Medo no Ocidente 1300 – 1800, mostra que a insegurança medieval recebia um remédio comunitário: muros, com fossos e fiscalização. Mas, mesmo esses muros traziam consigo uma idéia de comunidade, pois toda a cidade estava junta, cercada por um muro comum. Se contra os saqueadores muros eram construídos pela cidade, agora o indivíduo constrói ao redor da sua casa seu muro, mas não se utiliza de meros fossos, usa cercas elétricas, vigilantes com armas e outros apetrechos.
Considerando-se que prédios são igualmente muralhas coletivas, de todo modo são totalmente distintos da aldeia medieval. Aqui nem sempre uns sabem quem são os outros, e se as pessoas possuíam medo de fazer algo por ser delatado pelos vizinhos, com a questão da individualidade isto deixa de existir. “O encontro de estranhos é um evento sem passado” e “é também um evento sem futuro” (bauman pág 111). Isto significa que são encontros pontuais que raramente se convertem em algo mais profundo.
O sexo poderia ser o aspecto menos afetado, mas não o é. Este como Michel de Foucault demonstrou na série de livros de História da Sexualidade é carregado por uma série de atributos políticos. Acriança medieval não existia, era um mero adulto incompleto, igualmente como na Grécia antiga. A Modernidade descobriu a criança como uma ameaça, a masturbação infantil era algo abominável. Os pais deveriam combater isto, bem como a escola. Se as crianças mereciam um cuidado especial, o sexo deveria ser totalmente abolido de suas vidas.
O mesmo se tem a falar sobre o sexo heterossexual monogâmico. O século XVIII articulou à sua volta as outras sexualidades, estudando-as criando discursos de verdade.
A pós-modernidade criou mecanismos diferenciados. Agora, como falou Zygmunt Bauman, a preocupação não é a sexualidade das crianças que têm o direito de descoberta do seu corpo, mas a sexualidade dos pais em relação a elas. Pedofilia é crime, a interferência dos pais nos filhos para atos ilegais soa totalmente aberrante perante a sociedade.
Em relação aos adultos a filtragem não se refere mais à monogamia heterossexual, mas a universalização das demais práticas sexuais. Um bom exemplo disto é que no Orkut, onde existem mais de 1000 comunidades de língua portuguesa com o nome “sexo”, e a que mais contém membros é a “Eu adoro SEXO”, com 199.388 pessoas. O sexo não mais se fechou em determinados locais para ser falado seguindo regras, pois ele é falado em todos os locais, desde programas de televisão até os pais e as novelas.
Fazer sexo, como no período que estamos vivemos, também obedece ao princípio do sexo entre estanhos, é um evento que pode ser pontual, e não linear. O que deve ser levado em conta não é o amor ou alianças familiares, mas a busca pelo prazer ao extremo. Como Jameson aponta, o capitalismo tardio conseguiu penetrar no pensamento das pessoas, fazendo com que elas olhassem para as outras como meros objetos de desejo, e igualmente como uma mercadoria, porém o desejo não encontra limites para a sua realização.
Quando se vê a liberalização do sexo, não se pode levar em conta uma utopia de “liberdade”. O poder moderno tinha um projeto de dominação, mas vinha no seu arcabouço uma reação inerente. Se eles isolavam e estudavam, forneciam meios de mobilização aos inferiorizados. A família nuclear sofria junto, igualmente o restante dos proletários; mas com a fragmentação da família nuclear a comunicação inter partis torna-se mais precária, juntamente com a sociedade como um todo. Se o indivíduo morreu, morreu com ele a capacidade de mobilização e por conseqüência a perspectiva utópica de mudança social. A modernidade sucumbiu, e levou consigo as utopias teleológicas.
Monday, August 29, 2005
Cristo é pop!
Descobre-se que não apenas os judeus tiveram um salvador! Sim, aquele povo que vivia uma história de opressão, e que por onde passava absorvia os mitos alheios, como no caso do Homem de Marduk dos mesopotâmicos. Os judeus, que não reconheceram seu salvador e o matou.
Pois não é que dois milênios depois aparece outro profeta? Sim Jesus! E não é que ele apareceu de novo, e justamente nas terras tupiniquins. É um brasileiro que se chama INRI CRISTO. E é não contemporâneo que se torna um protótipo de nosso tempo.
Encarnando o período, é uma parafernália com direito a vestimenta clássica de Jesus e um sotaque que não se sabe de onde é. Prega ser um Jesus mais realista, que sente também a ira. É, faz check up, tomou chá de cocaína na Bolívia, foi expulso de mais de 26 países, usa coroa felpudinha para não machucar, tem consciência de sua vida anterior e finalmente foi a prostíbulos e dá entrevistas a revistas masculinas, com a mulher samambaia estampada e tudo.
É Brasil, tu que tens um pé na Bélgica e outro na Índia, vives esta linda sofrida história. Manicômio e Igreja, profeta e esquizofrênico. Te cuida Vaticano, pois creio que o tempo atual não ta resguardado contigo, e Bento XVI que se renove, pois o brasileiríssimo Inri Cristo ta ai!
Oh Pernambuco
Bem eu normalmente nao me aventuro pelo mundo dos versos, mas aki está uma tentativa de poema que fiz declarando o meu amor pela minha terra.
Oh Pernambuco,
Gostaria de demonstrar aqui o quanto te amo
Este amor que em entorpece
Que me queima o sangue...
Quando imagino tua História
Somos os leões do norte...
Nós temos correndo nas nossas veias o sangue revolucionário
Aqui lutamos conta injustiças e aqui vimos a economia girar
Cidade sempre cosmopolita... que Nassau tanto amou
Hoje somos muito mais do que história
Temos a capital multicultural do Brasil
Recife, minha Veneza brasileira, Que tantas belezes expoe
Olinda, “quero cantar a ti esta canção...
... teus coqueirais, o teu sol... o teu mar...”
Contudo não somos apenas passado
A alma dos pernambucanos continua forte
Seja na informática, na medicina ou na política...
Aqui é a porta do Nordeste
Talvez as pessoas não me entendam
Mas o sentimento de ser pernambucano só sabe quem o tem
Este amor que entorpece... toma minha alma
E me faz sentir cada vez mais o que eu sou
Um pernambucano.
Tiaggo Cavalcanti de Morais
Pós-modernismo (2)
CONTINUAÇÃO DE PÓS-MODERNISMO (1)
A religião era algo que os burgueses tão pouco queriam inicialmente se desvincular totalmente. Dividiram a vida em esferas como a religiosa, política e econômica, elas possuem leis individuais e de gerencia própria. O burguês queria tanto o prazer terreno como uma vida no paraíso futuro. No século XIX o homem se “livra” de deus, e se proclama “ateu”. Agora o homem ocidental imerso em um ambiente de vários discursos não vê um sentido para a realidade, este sentido é dado individualmente. Uma forma é a religião. É crescente o número de religiões orientais, como no caso do budismo ou Hare Krishna, mas também o crescimento das religiões protestantes, que em geral são mais fundamentalistas que as católicas.
No Brasil a Modernidade não foi uma evolução da nossa sociedade, foi imposto pela realidade internacional, mas ela fora uma modernidade mais tecnológica que ideológica. O povo, a grande massa conheceu muito bem os resultados: o empobrecimento e impotência ante o poder espoliativo de sistema. Dentro desta questão o catolicismo que é uma religião mais racionalizada no ocidente parece não mais seduzir o brasileiro. Padre Marcelo Rossi foi silenciado pela Igreja, enquanto redes de televisão são utilizadas pelos protestantes para propagar sua doutrina e de ganhar o “mercado de fiéis”. No ano 2000 o país possuía segundo o Censo 2000 do IBGE 73,57% de católicos e 15,41% de evangélicos. Uma evolução bastante significativa, uma vez que em 1970 os seguidores do Papa significavam 91,77% e os reformados 5,16%.
Por outro lado, o número dos que se declaram sem religião praticamente dobra no país de 1991 a 2000: de 4,73% para 7,35%. Isto expressa um descontentamento com as religiões, ou seja, elas já não trazem para esta parcela populacional as respostas de que necessita.
Finalizando, imaginar uma religião pós-moderna é também imaginar uma profunda relação dela com a mídia. João Paulo II soube usar-se dela, pois seu funeral que teve uma ampla coberta da mídia mundial. A Igreja Católica conseguiu ainda algumas modificações como a permissão de mulheres em subir ao altar, mas muitas outras questões ainda estão esperando uma resposta, pois a sociedade se pergunta sobre a questão do aborto, do uso do preservativo ou da ordenação de mulheres para o sacramento. Imaginar os desafios da Igreja é pensar em modificações que a tragam mais perto da realidade social e quem sabe ela não pode nos mostrar no futuro um “Cristo é Pop” como foi mostrado no filme Dogma? Transformações é claro que ela vai ter que enfrentar.
Tiaggo Correia Cavalcanti de Morais
Pós-modernismo (1)
Pós-modernismo
“Pensem nas feridas
Como rosas cálidas
Mas oh não se esqueçam
Da rosa da rosa
Da rosa de Hiroshima
A rosa hereditária
A rosa radioativa” 1
Traçar um paralelo da pós-modernidade sem incluir os episódios de 6 e 9 de agosto de 1945 torna-se superficial. A bomba atômica quando chegou a 384 metros de altura do solo japonês não conseguiu apenas dizimar grande parte das populações de Hiroshima e Nagasaki, mas também indagou a humanidade sobre o papel da ciência, pois esta foi quem desenvolveu a “rosa radioativa”. Ao contrário do que os iluministas imaginavam, a razão não estava em um papel libertador do homem, mas de dizimá-lo. Esta reflexão pode ser a semente da crise da razão pós-moderna.
Ao alvorecer de um tempo histórico se precede um tempo de incertezas e paradoxos que convivem entre si. Desta forma, como o Renascimento viu-se entremear em concepções humanísticas e religiosas, no tempo contemporâneo convivem aspectos aparentemente contraditórios. É o hedonismo, o ceticismo, a religiosidade que permeiam a mente do homem pós-moderno.
Assim, um primeiro aspecto primordial contemporâneo seria o que Jair Ferreira dos Santos chamou de “pós que contém um des”. É o sentido esvaziador, o sentido que quebra tabus, que denuncia injustiças, é o sentido líquido que Zygmunt Bauman mostra. Em uma linguagem mais prática é graças a esta característica que movimentos sexuais, por exemplo, __________________________
1 MORAES, Vinícius de. Poesia completa e prosa. Rio de Janeiro, Aguilar, 1974, p. 265.
se mostram eficazes. Se antes o modelo monogâmico heterossexual “machocêntrico” era a regra e a ciência pôs as demais realidades sexuais com um discurso de doença procurando estudá-las e registrando o que antes os padres apenas escutavam nos confessionários 1, agora a mulher conquista o mercado de trabalho, e o gay vai às ruas para protestar por seus direitos.
Este movimento centrífugo aos paradigmas modernos trouxe também um momento de ceticismo entre os homens contemporâneos, se antes Marx trazia o paraíso do comunismo e depois dele vários indivíduos seguiram suas idéias, o homem contemporâneo parece não se seduzir por estas utopias teleológicas. O movimento político perde forca, e o homem tem sua atenção voltada a questões do cotidiano. “A rigidez da ordem é o artefato e o sedimento da liberdade dos agentes humanos”2, então se antes o poder sólido estava à mostra, hoje o desenvolvimento tecnológico permitiu a ele se “liquefazer” a ponto de não se identificar quem realmente detém o poder.
“Ao contrário do que se afirma [...] a humanidade não evoluiu para algo melhor. O progresso não passa de uma idéia moderna, ou seja, uma idéia falsa”3, em 1888 Nietzsche já ataca o projeto moderno, é preciso para ele que o homem ocidental retome o sentido dionisíaco e suplante o extremismo apolíneo para que se liberte a vida. Denuncia que os fracos vivem, e propõe um novo homem, um homem que já existiu não como regra, mas como exceção.
Bauman expõe bem a questão da individualização dos problemas sociais, uma vez que “as condições de vida em questão levam os homens e mulheres a buscar exemplos e não líderes”4. Viver não é mais um problema social, mas individual. É a conseqüência e legado moderno ao homem, ele submete o indivíduo em uma massa de consumidores, que consegue absorver vários costumes e padrões.
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1Isto é bem demonstrado por Michel de Foucault no seu livro História da Sexualidade I: Os cuidados de si.
2BAUMAN, Zygmunt. Modernidade Líquida. Rio de Janeiro: Jorge Zahar Ed., 2001, p. 11.
3NIETZSCHE, Friedrich. O anticristo. São Paulo: Martin Claret, 2004, p. 40.
4BAUMAN, Zygmunt. Modernidade Líquida. Rio de Janeiro: Jorge Zahar Ed., 2001, p. 85.
Entre a modernidade e a pós-modernidade existe também uma diferença substancial na concepção de tempo. O presente “sólido” perde a seu direito de existir, pois ele é uma antecipação do futuro, e o passado é o lugar da não realização; no momento contemporâneo a falta de sentido filosófico empurra o homem ao presente, pois o passado é visto com sem uma relação tão lógica, e o futuro é incerteza. A própria mídia constantemente cumpre o papel de dispersar a atenção do homem, pois a todo o momento surgem notícias as mais diversas. O indivíduo aqui recebe maciços fragmentos de informação, até mesmo porque a realidade se tornou algo tão complexo, e os meios de comunicação ditam padrões estéticos.
O que Madonna e uma banda de brega têm em comum? O simples fato de serem produtos massificados e que exploram sua sensualidade, de certa forma pregam uma liberdade, porém extrapolam estas pretensões e ditam regras, padrões de comportamento e porque não de moda? Agora o simulacro se liberta do referente, a Madonna “massificada” é mais real que a mulher-indivíduo. A cultura pop esta inserida dentro de uma indústria forte, e que quer impor seus produtos aos indivíduos em escala mundial.
Foucault escreveu que o poder panóptico foi uma realização formidável, uma vez que a introjeção do “olho do poder” permitiu ao mesmo dispensar os espetáculos de carnificina dos suplícios que eram caros, otimizando os seus efeitos. Mas uma vez que este poder era identificado, permitia uma maior mobilização das massas, o que não ocorre contemporaneamente. O homem está preso ao ambiente citado acima, um ambiente que não tem um discurso universal, mas fragmentado e que massageia o ego do indivíduo com prazer que pode ser sexual ou consumista. É mais fácil se discutir sobre a descoberta de um outro planeta em outra galáxia que uma forma de mudar o mundo ou ainda de se acabar com a fome no planeta.
A própria família incorpora outros valores, a partir do momento em que a sociedade se liberta de padrões anteriores. Se antes o casamento era a união de duas metades, agora é o encontro de dois inteiros, isto quando ele ocorre, pois diferentemente dos casamentos arranjados no Brasil colônia quando as meninas eram muito novas, agora elas têm o marido como uma opção e não como uma obrigação à qual não se pode fugir. É crescente o número de mulheres que preferem viver a sós. Inclusive a questão da maternidade não requer necessariamente um homem, desta forma o real – homem – não é mais necessário, uma vez que a mulher pode ir a um banco de esperma e “comprar” seu filho.
CONTINUA
Saturday, August 27, 2005
Tempo, história e razão
Gostaria de (re)pensar um pouco o que tealmente significa o início e o fim em certeas histórias. Estes marcos teórico-temporais que delimitam a existência.
Como pretenso historiador, sei que esta idéia de início e fim históricossurgiram a partir do cristianismo, ´pois os gregops e romanos imaginavam a repetição como sento a natureza da história. Os helênicos admiravam demais o estático para admitiriem a fluidez.
Inícios são sempre difíceeis de serem explicados, afinal como se pode falar onde extamente surgiu o capitalismo, ou ainda onde e como s iniciou o amor de um casa?
Um primeiro obstáculo é a apreensão da realidade que é peculiar a cada um. Outro é como eles relatam o que ocorreu, quando o fazem.
Um amor jamais acontece do nada, pois a pessoa que ama tem uma carga histórico-psicológica que proporcionou o sentimento; assim mesmo que admitamos um ponto inicial, este início teve outros inícios que se encadeiam em uma sequencia infinita, causando uma relação de indeterminação iniciática temporal.
Sinto que perco um pouco de tempo para falar sobre sentimentos usando a razão. Ah razão, tu és incompleta, inútil pois nao fazes ninguem feliz! Um grande amor nao surge porque tu o decidistes, mas porque o coração trouxe um sentimento avassadalador aos corações dos apaixonados.
Talvez o que falte às pessoas seja tanto a razão quanto o sentimento. Vivemos em uma sociedade que nao prima pela inteligência, em uma evidencia de parnasianismo latente. Programas de televisão gastam muito do seu tempo exibindo bundas e peitos, e (quase) nenhum com obras filosóficas; outro exemplo é que a nossa atenção se volta cada vez mais às quedas da BOVESPA ou do Dòlar, quando na realidade mais imediata não procuramos imaginar como acabar com a fome.
Como se nossa razão nao fosse suficiente, o sentimento também está suplantado. Os sinais de afeto estão paulatinamente se resumindo a um presente que se dá e nao ao carinho dedicado. Como se tal fato por si só já nao se figurasse uma aberração, nós somos capazes de chegar à lua, mas nao temos a capacidade de interagir socialmente todos os dias nos ônibus por exemplo.
Hoje não se vive em comunidade, mas em aglomerados humanos. A interação, o sentimento de união agonizam faze a um individualismo crescete. A quantas pessoas você deu bom dia hoje?
Pois inícios são complexos de serem descritos e até mesmo de se iniciarem. Estar mergulhado no eterno presente é nao ter perspectivas de futuro ou visão do passado. A mídia se ocupa da informação em escala global, e nao de suas conseqüências; nossas atenções rapidamente se voltam ao furação qeu devastou os EE.UU, ao incendio em Portugal ou ainda à corrupção de Brasília. Mas nao há uma continuidade no trabalho.
Quanto ao Telos este realmente hoje caiu por terra. Ilusões... doces ilusões que se foram. Idealizar um fim é coisa para os fracos como já dizia Nietszche, e os cristãos que trouxeram essa concepção é quem sao os verdadeiros escravos derrotados.
Da mesma forma que falei, o início nao tem um "início" real, tao pouco o fim, pois eles se entrelaçam em uma cadeia de fatos. Um fim significa um início e o início um fim.
